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Polícia Científica de MS inova em necropsias com técnica própria

Método reduz custos e melhora diagnósticos com contraste desenvolvido internamente

10/03/2026 às 10:51
Por: Redação

A Polícia Científica do Mato Grosso do Sul, em uma iniciativa inovadora, adotou a utilização rotineira de tomografias com contraste em procedimentos de necrópsia no IMOL (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) localizado em Campo Grande. Essa técnica é marcada pelo uso de um contraste criado internamente, o que contribui para a otimização tecnológica e redução significativa dos custos para o governo estadual.

 

Esse método permite uma visualização precisa da rede vascular após o óbito, aprimorando o trabalho pericial em casos complexos. Enquanto a tomografia convencional por vezes não revela alterações evidentes, a nova tecnologia é eficaz na identificação de obstruções, rompimentos ou extravasamentos internos de maneira clara e imediata.

 

Eficiência e custos reduzidos

A solução desenvolvida em Campo Grande se adapta à realidade da segurança pública local, diferenciando-se dos protocolos internacionais que utilizam insumos caros. A fórmula é composta por água, sulfato de bário e um agente estabilizador, mantendo o contraste no sistema vascular durante o exame sem o risco de vazamento para outros tecidos.

 

Essa melhoria permite aos peritos médicos-legistas criar reconstruções tridimensionais detalhadas dos órgãos, auxiliando na determinação da causa da morte em casos específicos como infartos, hemorragias internas ou mortes inicialmente classificadas como incertas. Este "procedimento de necrópsia virtual" serve como uma ferramenta complementar à necrópsia tradicional.

 

Infraestrutura tecnológica em MS

Mato Grosso do Sul se destaca nacionalmente por possuir tomógrafos em suas unidades de perícia técnica. Atualmente, as sedes do IMOL em Campo Grande e Dourados dispõem desses equipamentos, colocando o estado na linha de frente da investigação forense no Brasil.

 

Pesquisa e colaboração científica

O desenvolvimento desta técnica é o resultado de extensa pesquisa científica realizada dentro da própria Polícia Científica. A técnica integra a pesquisa de mestrado de Rodrigo Borges Gomes, agente de Polícia Científica e biomédico, em associação com o programa de Ciência dos Materiais da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

 

Rodrigo Borges Gomes, que liderou o desenvolvimento do contraste, combinou a experiência prática forense com a pesquisa acadêmica. Sua formulação recebeu também apoio técnico do Instituto Médico-Legal do Distrito Federal. As próximas etapas do projeto visam expandir o número de casos analisados para demonstrar ainda mais a eficiência da solução adotada.

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